Pelé feirense

Revelação do Bahia de Feira se profissionalizou aos 23 anos

A história de Marcone da Silva Oliveira se confunde com a música A Estrada, do Cidade Negra. É difícil imaginar o quanto este feirense de 23 anos caminhou até chegar ao Bahia de Feira e se transformar em Pelé, uma das revelações do clube na temporada. Com dois gols nos últimos dois jogos, o meia-atacante percorreu muitas milhas até conseguir realizar o sonho de ser jogador profissional. E nem cochilou, literalmente.

Pelé começou tarde no futebol profissional: apenas no ano passado, aos 23 anos. Ajudar a família era a principal atividade do atleta. Sua rotina era bem mais intensa que os cansativos treinos diários num clube de futebol. Antes de balançar as redes do Baianão, o atleta do Tremendão trabalhava no Centro de Abastecimento de Feira de Santana. Sua jornada? “Eu começava a trabalhar às 22 horas e só largava meio-dia do outro dia. Ganhava cem reais, por semana. Precisava pegar no pesado para ajudar minha família”, lembra Pelé, que mora com a mãe, dona Maria, além de outros dois sobrinhos, no bairro Rua Nova.

Com a fé do dia a dia, Pelé encontrava a solução de não desistir do seu sonho. Mesmo com o sono do batente da madrugada, Marcone encontrava ânimo para jogar no projeto Acorda pra Vencer (APV), idealizado pelo ex-jogador Rincon Baiano. “Eu estava no Acorda pra Vencer e fiz uns três amistosos com o Bahia de Feira ano passado. O professor Barbosinha gostou de mim, pediu minha vinda e o professor Rincon falou que me ajudaria. Tirou todos os meus documentos e assinei com o Bahia de Feira. Nunca tive oportunidade de jogar na base de nenhum time, nem tinha mais idade pra isso. Mas meu sonho não acabou, mesmo com a idade. Me profissionalizei com 23 anos!”, lembra Pelé, que hoje não precisa mais trabalhar nas madrugadas feirenses. “Minha família é humilde. Porém, graças a Deus primeiramente, não passamos tanta dificuldade como antes. Posso ajudar minha mãe fazendo o que gosto”, completa.

Aos 23 anos, Pelé assina seu primeiro contrato profissional, ao lado de Rincon Baiano

Com o início tarde no futebol, Pelé precisava da lapidação natural dos atletas que tiveram o preparo adequado nas divisões de base. Entretanto, como diria Cidade Negra, a vida ensina e o tempo traz o tom. “Pelé é um jogador que está amadurecendo, está começando a entender o que é uma movimentação ofensiva, o que é simplificar o jogo, dar intensidade e dinâmica ao jogo. Ele está evoluindo bastante e por isso está jogando. É uma grata promessa no nosso time e espero que ele se firme de vez”, relata o técnico do Bahia de Feira, Barbosinha.

Pelé não quer parar. O meia-atacante do Tremendão ainda sonha em escalar os mais belos montes do futebol mundial, como todo garoto que pretende ser jogador de futebol. “Não conquistei nada ainda. Cedo ou tarde, tenho o mesmo sonho de qualquer jogador. Quero ajudar o Bahia de Feira. Quero jogar na Seleção. Quero jogar na Europa. Quero melhorar a vida de minha família”, completa.

Fotos: Divulgação / Bahia de Feira

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