Como ficam os times baianos?

O prejuízo financeiro é inevitável. A conclusão do Campeonato Baiano incerto. Todos os 10 clubes da primeira divisão da competição decidiram paralisar suas atividades, a maioria por tempo indeterminado,prezando pela saúde de seus funcionários e atletas e evitando a proliferação da pandemia do Coronavírus. O presidente Ricardo Lima foi procurado para dar mais detalhes sobre o futuro da edição 2020, mas sem sucesso. Ao Globo Esporte, o vice-presidente, Manfredo Lessa, admitiu que a competição pode não ser mais retomada. ” Temos problemas com contratos de atletas questão expirando e de calendário. Se a situação se prorrogar por muito tempo, vai acabar sendo inviável o prosseguimento das competições estaduais. Situação ficou muito complicada. A gente tem que ser realista no momento. Vamos tentar de tudo. Acho muito pouco provável que a gente consiga concluir o Campeonato Baiano esse ano”, disse.

O questionamento agora está em torno das consequências de um possível cancelamento definitivo do estadual. A competição, que faltava duas rodadas para o fim da primeira fase, defini vagas na Série D, Copa do Brasil e rebaixamento. O Baiano da segunda divisão, que credencia um clube para a primeira divisão, também está suspensa.

Confira como fica cada um dos times após decisão da FBF de paralisar o certame.

Bahia
Líder da competição, o Bahia foi o primeiro clube a se manifestar contrário a primeira medida da Federação Bahiana de Futebol, que manteria a competição com os portões fechados. O presidente do clube, Guilherme Bellintani , já tinha se manifestado nas suas redes oficiais. Após FBF repensar sua decisão, o Esquadrão decidiu encerrar suas atividades na Cidade Tricolor, até o próximo dia 30 de março, podendo prolongar a resolução, a depender da evolução da pandemia. Os atletas profissionais receberam uma série de orientações de treinamento para não perderam a forma física. Seu programa de rádio foi suspenso e a loja oficial do clube está fechada.

Jacuipense
A Jacuipense foi o último clube a vencer no Baianão, no jogo derradeiro contra o Vitória. O triunfo por 1 a 0 deixou a Jacupa em segundo na tabela de classificação. O time de Riachão de Jacuípe encerrou suas atividades durante 15 dias. O clube é o único representante baiano na Série C e possui contratos mais longos com seus atletas.

Vitória
O pausa no Baianão foi o menor dos problemas para o Leão. Único representante baiano na Copa do Brasil, seu duelo diante do Ceará, no Barradão, pela terceira fase, tirou uma receita que poderia salvar sua folha salarial por mais tempo. Além da bilheteria do duelo decisivo, a suspensão pela CBF também impediu do Rubro-Negro assegurar uma possível classificação e embolsar outros R$ 2 milhões. A diretoria do clube suspendeu suas atividades, mantendo um quadro mínimo de funcionários no Manoel Barradas, mas com os devidos cuidados.

Atlético de Alagoinhas
Também por tempo indeterminado, o Carcará paralisou suas atividades no futebol e administrativo. O clube é um dos cinco clubes baianos que terão calendário garantido no segundo semestre, já que disputará a Série D do Brasileiro.

Juazeirense
Sem calendário no segundo semestre, a Juazeirense contava com o Baianão para garantir vaga na Série D de 2021. O presidente do clube, Roberto Carlos, se mostrou preocupado com o rumo dos clubes do interior, principalmente seus funcionários. “Somente os clubes da primeira divisão do Campeonato Baiano tem aproximadamente 500 pessoas trabalhando, que vivem exclusivamente do emprego gerado, direta ou indiretamente, pelo futebol. É necessário urgentemente encontrar saídas para amenizar uma possível demissão em massa no setor e praticamente acabar com clubes tradicionais que movimentam o esporte e, mesmo com as dificuldades de sempre, geram emprego, renda e lazer para a população”, alertou o deputado. O Cancão investiu no seu elenco com contratações de peso, como o zagueiro Kanu.

Fluminense
O Touro demitiu seu técnico restando duas rodadas para o fim da competição. Contratou Sérgio Araújo para a missão de classificar o clube na primeira fase, mas dificilmente isto ocorrerá. O Fluminense paralisou suas atividades, assim como as parcerias. O Flu cederia seu espaço para o Barcelona de Ilhéus, que ficaria treinando no CT tricolor durante a segunda divisão estadual.

Vitória da Conquista
O Bode foi o clube com posicionamento mais radical. Logo após a decisão da FBF, o presidente do clube, Ederlane Amorim, dispensou o elenco. Curiosamente, o Conquista é um dos clubes baianos que possuem calendário até o final do ano. “Estamos aguardando as definições para darmos o próximo passo. Nem sabemos sobre os rumos da Série D. O certo é que foi necessário esta suspensão por conta do coronavírus. Temos que nos proteger”, assegurou o presidente.

Doce Mel e Jacobina
A paralisação teve um paradoxo para os dois clubes que lutam contra o rebaixamento. Para o time de Ipiaú, a suspensão do Baiano tirou a chance do clube ganhar dinheiro com o jogo de maior apelo do ano, que seria contra o Vitória, na última rodada da primeira fase. Porém, há um alento. Caso não seja possível finalizar o certame, o Doce Mel, assim como o Jacobina, escapam do rebaixamento, pois ninguém poderá cair antes da competição finalizar.

Foto: Moysés Suzart

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